Este artigo é a adaptação da palestra proferida por Niso Vianna [foto] no IV Encontro de Astrologia Aplicada, em 22 de junho de 2008.

Niso Vianna

Uma retrospectiva da crise e seu prolongamento

2008 - Plutão entra em Capricórnio e Saturno faz oposição a Urano

A entrada de Plutão em Capricórnio associada à oposição Saturno-Urano ao final de 2008 levaram à bancarrota grandes impérios financeiros e introduziram o mundo numa crise do sistema capitalista.

Plutão entrou em Capricórnio em janeiro de 2008 e aplicou um aspecto de oposição à conjunção Vênus-Júpiter no início do signo de Câncer no Mapa da Declaração da Independência dos EUA. Nessa época, essa oposição foi ativada por gatilhos de Júpiter e Marte. Deflagrou, assim, a crise do crédito imobiliário nos Estados Unidos. Plutão entrou em movimento retrógrado em abril, retomando o movimento direto em setembro, quando seus efeitos se tornaram mais dramáticos, formando oposição à conjunção Vênus-Júpiter do mapa dos EUA. O ingresso de Plutão em Capricórnio teve um efeito tão demolidor sobre grandes corporações que preocupou governos severamente.


EUA em 1º de janeiro de 2008

Trânsitos sobre a carta dos Estados Unidos em 1º de janeiro de 2008: Júpiter e Plutão se aproximam da oposição a Vênus-Júpiter da carta radical.

EUA - carta radical
Acima, o mapa da Declaração da Independência dos EUA em 04.07.1776.

A conjunção Vênus-Júpiter em Câncer no mapa natal dos EUA é um significador da riqueza e prosperidade da economia norte-americana. Quando houve a Grande Depressão da década de 30, também foi essa conjunção que, afligida por trânsitos pesados,  engatilhou a crise, seguidos de uma configuração planetária extremamente tensa formando uma Quadratura T aplicando-se diretamente sobre Sol e Saturno do mapa dos EUA. Esses dois astros são associados à nação propriamente dita e sua representação por figuras de autoridade, como entidades governamentais e seus líderes. Essas aflições por trânsitos planetários  afetaram duramente a maior economia do globo, o que acarretou em uma crise mundial.

Em dezembro de 1929, Saturno em movimento direto faz oposição exata a Vênus a 2º21' em Câncer do mapa dos EUA. Ao mesmo tempo, Urano está a um grau e meio de distância de uma quadratura exata a Júpiter a 5º47' em Câncer do mesmo mapa (Urano está a 7º27' de Áries).

Depressão 1

Declaração de Independência dos Estados Unidos - 4.7.1776, 2h20 (-05:00) - Filadélfia, Pensilvânia - Círculo externo: planetas em 19.12.1929.

Trânsitos em dezembro de 1930

Dezembro de 1930

Trânsitos em 8 de dezembro de 1930 sobre o mapa dos EUA.

A tensão planetária aflige o mapa dos EUA. Urano e Saturno em trânsito estão afligindo o Saturno radical a 14º de Libra e o Sol radical a 13º de Câncer do mapa dos EUA. Júpiter e Plutão estão em uma conjunção aberta em Câncer com o Sol dos EUA e em quadratura com Saturno Natal em Libra do mesmo mapa.

No quadro atual, a oposição de Plutão à conjunção Vênus-Júpiter da carta radical dos Estados Unidos abalou a vida econômica dos norte-americanos já em princípios do ano de 2008 e ganhou ênfase com a retomada do movimento direto por Plutão em setembro e sua entrada em Capricórnio em seguida, em novembro de 2008, escancarando a crise. Mas não foi só o efeito desse ingresso aplicando oposição à referida conjunção no mapa dos EUA o único responsável pela crise no sistema capitalista então deflagrada. Um aspecto Saturno oposto a Urano começou a se desenhar no céu em janeiro, quando houve receio de que o problema iniciado nos EUA se alastrasse. O aspecto não se completou no início do ano, mas em novembro de 2008 se formou de modo exato. E com isso, o cenário mundial ficou mais claramente afetado.

Urano rege o sistema capitalista. Uma evidência astrológica disso é que sua descoberta em 1781 está associada ao tempo em que o capitalismo tomou forma e força, com a Independência dos Estados Unidos. O aspecto de oposição de Saturno a Urano, presente nos tempos atuais, promove restrição, limitação (ao sistema capitalista, no caso).

Em 2009, Plutão torna exata a oposição à Vênus Natal dos EUA. Com alto desemprego, o enfraquecido poder de consumo norte-americano retrai economias no mundo inteiro. A crise financeira se infiltrou na economia real. Com isso, o combalido poder de compra da maior economia do globo pôs o mundo em recessão, cujo crescimento em 2009 será negativo e, no momento, aponta retração forte no mundo desenvolvido e desaceleração preocupante nas economias emergentes. Essa situação, segundo fontes oficiais de análise econômica, pode perdurar de 3 a 4 anos até voltar à normalidade. O que espera-se é que, após a queda vertiginosa havida, as economias estabeleçam uma recuperação lenta que acarretará em baixo crescimento e alto desemprego ainda por um bom período de tempo.

Novembro de 2009 - Em novembro, além de Plutão estar no grau 2 de Capricórnio, Saturno estará a 2 graus de Libra. Ambos afligem Vênus radical dos Estados Unidos em Câncer no grau exato (2º), num efeito duplo, afetando mais diretamente a renda dos norte-americanos. A produção se reajusta à menor demanda e o efeito sobre a economia fica mais realçado. A dupla aflição sobre Vênus do mapa norte-americano indica menor renda e capacidade de consumo prejudicada.  É esperado que o desemprego atinja o ápice nessa época nos EUA. O menor consumo dos EUA afeta a todos os grandes exportadores, cujas indústrias dependem muito fortemente do mercado externo. De modo geral, as nações mais ricas do mundo desenvolvido são as mais intensamente abaladas, sob o ponto de vista econômico.

2010 - ano da Grande Quadratura em T:
A crise persiste até quando?

Em março de 2010, Plutão aflige Júpiter dos EUA em grau exato (5º) e Saturno aflige Vênus dos EUA também no grau exato (2º). Esse duplo efeito augura dificuldades para a economia norte-americana. Júpiter está associado ao crédito e aos bancos; Vênus, às finanças (nota do autor: notícia recente publicada em 25 de julho de 2010 no jornal O Estado de São Paulo relata que 103 bancos norte-americanos faliram neste ano até esta  data de 2010, contra 54 que entraram em falência em 2009, mostrando que os efeitos da crise ainda perduram com gravidade). Em maio de 2010, quando Júpiter em trânsito formar conjunção com Urano em oposição a Saturno, o cenário macroeconômico voltará a dar sinais de preocupação (verificou-se associação com a crise européia). Júpiter também é associado ao comércio exterior e à moeda internacional, indicando pressão sobre esses fatores. Urano em quadratura a Plutão em agosto de 2011 se aplicam sobre Júpiter do mapa dos EUA, apontando a tensão sobre mentalidades discordantes a respeito de assuntos concernentes ao crédito e ao modo de recuperar a expansão. Ao mesmo tempo, Saturno está em quadratura com o Sol do mapa dos EUA, apontando o peso da responsabilidade de assuntos do Estados Unidos e a frustração de seu governante máximo. Plutão aflige Júpiter do mapa dos EUA, que está a 5 graus de Câncer, até outubro de 2011, mês em que Urano também faz quadratura exata, concomitantemente, a Vênus dos EUA. O quadro indica, possivelmente, a continuidade no quadro de preocupações para a política econômica norte-americana. A bem da verdade, outro período crítico para a economia global é em junho de 2012, quando Urano e Plutão estiverem em quadratura exata. Essa configuração se repetirá ainda algumas vezes até 2016, mas é possível que seus efeitos mais dramáticos sejam sentidos em junho de 2012 e em abril de 2014, com mais veemência.


EUA terão sensível melhora em 2013

Em 2013 haverá um Grande Triângulo (formação benéfica) em signos de Água entre Netuno, Júpiter e Saturno, bastante promotor de prosperidade, favorecendo a conjunção Vênus-Júpiter em Câncer do mapa dos EUA. Isso é um indicador de alguma recuperação mais própria das consequências da crise para a economia dos EUA. Apesar disso, uma Grande Cruz sobre Sol e Saturno do mapa dos EUA, em abril de 2014, indica ainda algo preocupante para a nação norte-americana.

O Brasil

Embora o Brasil tenha condições estruturais de ser incentivado pelo consumo de seu mercado interno, a perspectiva de crescimento forte é um indicador otimista em relação à situação com que as economias dos países ricos poderão se deparar, em condições claramente mais adversas, sujeitas à combinação de alto desemprego e estagnação econômica. O Brasil prepara-se para recuperação mais vigorosa de fato. Um bom aspecto que Plutão em trânsito fará a Saturno a 9º de Touro do mapa do Brasil indica uma excelente estruturação para se destacar na frente em meio à turbluência do cenário externo.

Nos próximos anos, Plutão fará trígono com o Sol do Brasil (o astro principal de um mapa). Isso é indicação de recuperação completa para o país, resgatando oportunidades perdidas e deslanchando política e economicamente de forma bem mais forte do que o que era antes. O Brasil sairá avantajado da crise. Corroborando essa tese, 2013 coincide com o ano em que se prevê que o país começará a comercializar sua extração das novas jazidas de petróleo recém-descobertas. O petróleo é regido por Plutão, justamente o astro que estará conduzindo o país a uma recuperação total da crise, da qual sairemos fortalecidos. Um indício dessa prosperidade parece ser confirmada pelo trígono Júpiter-Saturno ao final de 2013 em bom aspecto com o Sol do Brasil.

O Brasil tem tudo para realizar seu potencial econômico com mais força após a crise global que o mundo capitalista ainda estará atravessando em 2010. Não só se recuperará como dará um salto à frente, ganhando posições. Em 2015, com um novo governo com mais legitimidade, seremos reconhecidamente mais fortes.

 
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